quinta-feira, 18 de junho de 2009

O diário de Hélène Berr


O tema aqui no blog é a Segunda Guerra Mundial, aproveitando os filmes recomendados também recomendo um livro: O diário de Hélène Berr, que depois de sessenta anos da sua morte foi lançando o ano passado(2008). Só pra vocês terem ideia do conteúdo e da riqueza dos detalhes ali descrito, verdadeiro documento histórico, transcrevo um fragmento do prefácio.

“Será que Hélène Berr tinha o presentimento de que num futuro muito distante seu diário seria lido? Ou temia que sua voz acabasse sufocada, como a de milhões de pessoas que foram massacradas sem deixar rastros? Ao penetrar neste livro, é preciso ficar em silêncio, ouvir a voz de Hélène e caminhar ao lado dela. Uma voz e uma presença que irão nos acompanhar pelo resto de nossas vidas.” - escrito por Patrick Mondiano, romancista francês.

O diário foi mantindo privado por mais de cinco décadas e publicado pela primeira vez na França em janeiro de 2008. comovente diário de uma jovem judia-francesa permite entender o horror e o absurdo enfrentado pelos judeus-franceses na Paris ocupada. Rica e culta, Hélène Berr estudava literatura inglesa na Sorbonne e costumava reunir-se com um grupo de amigos para tocar peças de Beethoven, Schubert e Bach ao violino.
Aos 21 anos, em 8 de abril de 1942, começou a escrever o seu diário, que relatava tudo o que outras garotas da sua idade escreveriam: contava como era a vida em Paris, a rotina na universidade com seus amigos, inconfidências sobre seu romance com o futuro noivo, viagens de férias no campo.

Na segunda-feira, dia 8 de junho, é obrigada pelos alemães, pela primeira vez, a usar a estrela amarela:

"Faz um tempo radiante, bastante fresco depois do temporal de ontem. Os pássaros piam, uma manhã como aquela de Paul Valéry. Primeiro dia em que vou também usar a estrela amarela. São os dois lados da vida neste momento: o frescor, a beleza, a juventude da vida, encarnada nessa manhã tão límpida; a barbárie e o mal, representados por esta estrela amarela"(...)

Hélène Berr escreve nas páginas de seu diário como a ocupação nazista em Paris foi transformando a sua vida e a dos outros judeus seu testemunho vai aos poucos a tornando uma escritora de talento.

Meu Deus, eu não achava que seria tão difícil. Usei de muita energia o dia inteiro. Andei de cabeça erguida e olhei de frente para as pessoas, que desviavam os olhos. Mas é difícil. Aliás, a maioria das pessoas não olha. O mais doloroso é cruzar com outras pessoas que também usam. Nesta manhã, saí com mamãe. Dois garotos apontaram o dedo para nós dizendo: “Ei, você viu? Judeu.” Mas o resto correu normalmente. Na place de la Madeleine, encontramos o senhor Simon, que parou e desceu da bicicleta. Peguei o metrô sozinha até Étoile. Na Étoile, fui ao Artisanat retirar minha blusa, depois peguei o 92. Um rapaz e uma moça estavam esperando, vi que a moça me apontou para o companheiro. E depois falaram alguma coisa. Instintivamente, ergui a cabeça — em pleno sol —, e ouvi: “É repulsivo.” No ônibus, havia uma mulher, uma maid provavelmente, que já tinha dado um sorriso para mim antes de subir e que se voltou para mim várias vezes sorrindo; um senhor muito chique fixava os olhos em mim: não consegui interpretar o sentido do seu olhar, mas o encarei com altivez. Terça-feira, 9 de junho de 1943

Acredito que vocês irão gostar.

2 Comments:

Glutone Insanu said...

Você está pegando pesado na nerdice! O Nazismo me fascina bastante (e, se o digo aqui, é por saber que você tem competência de sobra para compreender que falo no sentido histórico, e não modelador), porém, estes filmões nem devem existir aqui na roça!

Sobre o post abaixo, a atrasada aqui conheceu a existência do filme através do blog "Fazendo meu Caminho" que, por sinal, visitei através do seu! Fui tagalerar na cabeça do Shakinho sobre o filme e ele vai me dar de presente do dia dos namorados (SIM! Ele não segura as suspresas e NÃO, não conseguimos nos encontrar no dia dos namorados - acho que sabe bem como é isso, não?).

Li em algum lugar que você quer ser igual a mim quando crescer e por te gostar tanto, colaborarei com algumas dicas:

- andar de bicicleta: pare já, por que não sei!
- usar boné: nem sob tortura; ele lembra verão.
- caminhar e ir à academia: nem preciso comentar, né?
- dieta e salada: idem último item.
- gordura trans: lei da sobrevivência!
- coca-cola: única invenção norte-americana que merece respeito!
- doces: não use apenas como sobremesa; coma antes das refeições também!
- Off: incompatibilidade avançada! Quando você crescer igual a mim, o crânio dele será da altura de sua canela.
- comida japonesa: você estuda História e sabe melhor que eu que o Homem descobriu o fogo há MUITO tempo. Pra que, raios, comer coisa crua, se não somos foca? No mais, libero neste cardápio que você coma o Off, assim anula o item acima.


P.S.:ADORO o casal que vocês são!
Bom final de semana, apareçam entre as fadas, duendes e dUenTes encantados!

Cris said...

Bom saber que O Nazismo te fascina, porque também me encanta e parabéns ao Leonzim pelo bom gosto do presente, embora eu acredito que você o induziu a tal feito, e sei como é essas coisa de nem sempre estar juntos.
Quanto as dicas, fiquei surpresa com algumas:
- andar de bicicleta, já parei prefiro moto off road
- usar boné, menina eu coleciono e moro na Bahia, portanto é eterno verão.
- Acadêmia - nem pensar sou hiper-preguiçosa.
- as outras dica prefiro não comentar(rsrs), adoro comida japonesa, cultura japonesa, e o japonês ( neh??)

Ps: obrigada pelo carinho