“Homens vagabundos que se fingem naturais do Egito e obrigados a peregrinar pelo mundo como descendentes dos que não quiseram agasalhar o Divino Infante”. Esta era a definição de ciganos no primeiro dicionário editado em Portugal, no século XVIII. Ladrões, charlatões, músicos e dançarinos – Rodrigo Teixeira destaca as diferentes visões construídas sobre os ciganos que, de astuciosos e ricos comerciantes de escravos na Colônia, transformaram-se em miseráveis, “sem pátria e incivilizados” no Império. Degredados para o Brasil, os ciganos causavam repulsa e curiosidade. Depois da abolição da escravatura e do declínio da atividade canavieira, migraram para Minas Gerais e tornaram-se presença assídua nos relatórios da polícia, responsáveis pela morte de policiais, mesmo portando apenas punhais e armas velhas. Ainda assim, sempre provocaram uma boa dose de fascínio. Contam que nem mesmo D. João VI resistiu a uma bela cigana que podia ver o futuro nas mãos.
Cristiane Nascimento
Um episódio pouco contado
Há 2 dias



0 Comments:
Post a Comment