quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Alerta: Patrimônio em perigo


Na cidade Canavieiras (BA), Solar da Família Carneiro está longe de cumprir o desejo de sua antiga proprietária.
Bernado Camara

Quando percebeu que sua vida chegava ao fim, Anísia Carneiro pegou um papel e deixou registrada a vontade de seus pais: transformar sua casa em museu. Anísia se foi, e o Solar da Família Carneiro, erguido na década de 1920 e doado à prefeitura de Canavieiras (BA), foi deixado de lado.

O casarão pertenceu ao tenente Basílio Carneiro, membro da extinta Guarda Nacional. Quando foi construído, chamava atenção por sua pompa. Hoje, continua atraindo olhares. Mas pela decadência. “O solar está em estado de ruína absoluta. Inclusive uma vegetação já está se manifestando em volta”, lamenta o garimpeiro Fernando Reis, que mora a alguns metros dali.

Fernando diz que a prefeitura de Canavieiras nunca se interessou pelo imóvel. Segundo ele, um desperdício, pois não precisaria muito para transformá-lo num museu. “Já era um museu pronto, com mobiliário, piano, louça, fogão a lenha, painéis primorosos pintados a óleo”, lista. “Era uma exposição detalhada sobre o estilo de vida da antiga aristocracia da região do cacau”.

Com o descaso, as peças que compunham a casa foram sumindo, e hoje ela está às moscas. O garimpeiro lembra que a cidade já passou pelo ciclo do cacau, do garimpo, e hoje paga suas contas com o turismo. “Como pode, então, o abandono desse patrimônio histórico?”, questiona, ao frisar que, se o poder público está parado, é por puro comodismo: “A prefeitura fica à distância de um grito daqui”.


Fonte: Revista da Biblioteca Nacional

domingo, 15 de novembro de 2009

Patrimônio em perigo

Eu acho muito legal uma parte da Revista da Biblioteca que denuncia o PAtrimônio público em perigo, por isso estou colocando na íntegra aqui, vamos fazer a diferença ajudando de alguma forma, nem que seja divulgando. Obrigada!

Trens fantasmas
Segunda maior estação ferrovirária do Brasil está caindo aos pedaços, literalmente.
Bernardo Camara

Como um prenúncio, o letreiro da Estação Ferroviária de Cachoeira Paulista (SP) vai caindo, letra por letra. Fechado há 12 anos e sem investimentos há muito mais tempo, o prédio erguido em 1887 ameaça desabar. “O telhado já se perdeu todo, assim como boa parte da madeira e do ferro que o ornamentavam”, denuncia Alex Machado, secretário municipal de Indústria, Comércio, Desenvolvimento e Emprego.

Considerada a segunda maior do Brasil, com seus 4.620 metros quadrados de terreno, a estação vem sofrendo atos de vandalismo desde que fechou suas portas, apesar de ser tombada desde 1982 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo. Segundo Alex Machado, o edifício pertencia à Rede Ferroviária Federal, que chegou a acumular dívida de R$ 2,3 milhões por não ter levantado um pincel sequer pela sua conservação. Hoje a Rede está extinta, e a estação aguarda um inventário para ser transferida ao Iphan.

A prefeitura de Cachoeira Paulista, no entanto, quer encurtar o caminho, e pediu a guarda provisória do prédio. “Estamos correndo atrás da documentação para isso”, diz o secretário. “Nossa preocupação maior é que, se houver desmoronamento, não vamos conseguir mais restaurá-lo”.

Caso a prefeitura consiga a guarda, o terreno será dividido. De um lado, abrigará um centro cultural com cinema e teatro. De outro, a estação voltaria às suas origens, como parte do projeto Trem da Fé. “Com os municípios de Aparecida e Guaratinguetá, fazemos parte do maior polo de turismo religioso do Brasil”, explica Machado. Os trilhos voltariam à ativa para transportar os fiéis. Enquanto isso não acontece, porém, o letreiro continua cambaleante.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Patrimônio em perigo

Cidade em risco
Fundada em 1735 e antigo centro de mineração, Traíras (GO) está por um triz. Praticamente todas as edificações da cidade correm risco de desabar.
Juliana Farias

Não é só um prédio ou um monumento. É praticamente a cidade inteira. Com tantas construções caindo aos pedaços, o vilarejo de Traíras, no norte de Goiás, é um verdadeiro patrimônio em perigo. Fundada em 1735 pelo português Manoel Tomar, o lugar era o principal centro de mineração da região. Foi sede de uma das poucas casas de fundição da província, e até pelo menos 1800, quinze mil garimpeiros chegaram a circular por ali.

“Atualmente, esse arraial é o retrato do descaso brasileiro pela História. Só existem os restos de paredões e algumas casas, que ainda resistem de pé graças ao empenho de alguns moradores, que esperam receber indenização do governo como reconhecimento pela conservação”, denuncia a escritora goiana Sinvaline Pinheiro.

Da igreja do Rosário, tombada pelo Iphan em 1955, com parecer de Carlos Drummond de Andrade, só ficou uma parede de meio metro de espessura, cercada de muito mato e de um chiqueiro de porcos. Enquanto promessas e projetos de políticos não saem do papel, os poucos moradores que ainda sobrevivem ali lutam para suas casas não tombarem de vez.

Fonte:Revista da Biblioteca Nacional